Sejam bem vindos todos os que trazem tochas acesas nas mãos

e também aqueles que como eu, anseiam pela luz.



sexta-feira, 9 de julho de 2010

De onde vem a força das mulheres que têm filhos especiais?

Excelente a matéria de Cristuane Segatto. Conteúdo belo e sensível que nos remete a uma reflexão sobre o verdadeiro sentido da vida, nossas batalhas e nossas histórias de superação como pais, seres humanos e portadores de um dom especial: o de sermos capazes de amar.
 
Malú Rossi


CRISTIANE SEGATTO
 Reprodução
CRISTIANE SEGATTO

Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 14 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismo
“Conheça a vida selvagem: tenha filhos”. Sempre me divirto quando vejo esse adesivo colado no vidro de algum carro. Essa frase é a mais pura verdade. A maternidade nos aproxima das fêmeas de todas as espécies. Em nenhuma outra fase da vida percebemos tão claramente o papel animalesco que a natureza nos reserva.Viramos leoas que se desdobram para cuidar da cria, alimentá-la, protegê-la e – principalmente – amamentá-la.

Sim. Não importa se a mulher é uma executiva empertigada, uma intelectual inatingível, uma operária calejada. Quando o filho nasce, ela vira um peito. Ou melhor: dois. Nada do que a mulher fez na vida ou ainda pretende fazer tem importância diante da função especialíssima de ser a única fonte de alimento de um ser que acabou de chegar. Um ser que vai crescer, ajudar a povoar o mundo e tocar em frente a grande aventura do Homo sapiens.

Quando eu amamentava a Bia (hoje uma moça de 10 anos) eu me sentia um par de peitos. Nas primeiras semanas, ela mamava a cada hora e meia. Eu vivia para isso. Minha função nesse mundo – de manhã, de noite, de madrugada – era amamentar. E, claro, trocar fralda, embalar, acalmar o choro, dar banho, lavar roupa etc, etc, etc. Quando ela mamava e dormia, eu ganhava uns 90 minutos de folga. Aí não sabia o que fazer com eles. Tomar uma ducha? Almoçar? Colocar as pernas para cima?

Eu era tão “sem noção” que três dias antes da Bia nascer fui à livraria comprar Guerra e Paz. Achava que a licença-maternidade fosse uma espécie de período sabático, o momento ideal para ler aquelas 1.349 páginas que faziam tanta falta na minha cultura geral. Tolinha. Só fui conseguir preencher essa lacuna quando ela completou três anos.

Os primeiros tempos da maternidade foram, sem dúvida, a fase mais selvagem da minha vida. Acordava cheia de energia, pulava da cama e, quando a Bia deixava, tomava um banho revigorante. Às 7 horas tomava um café da manhã reforçado enquanto assistia ao Bom Dia Brasil. Depois passava o dia inteiro em função da cria. Decidi que nos primeiros meses não pediria ajuda a mãe, sogra ou babá. Queria ser mãe em tempo integral. Queria ter liberdade para errar, acertar, aprender.

Naquele inverno de 2000, meus dias eram amamentar. Nos intervalos, corria para o tanque (que ficava no quintal, ao ar livre) e lavava na mão, com sabão neutro, a montanha de roupinhas frágeis de bebê. O vento gelado batia no meu rosto, mas eu tinha uma disposição para cuidar das coisas da minha filha que só a natureza pode explicar. Meu gasto calórico devia ser brutal. Almoçava pratos gigantescos e, ainda assim, só emagrecia. No Spa da Selva, perdi rapidamente mais de 10 quilos.

À noite, a pilha acabava. Às 22 horas, estava exausta. Dormia profundamente e mal conseguia abrir os olhos durante a mamada da meia-noite. Eu e o pai da Bia desenvolvemos uma técnica animal. Eu levantava um pouco o tronco e recostava no travesseiro. Ele segurava a Bia e acoplava a boca dela no meu peito. Ela mamava, eu dormia. Ele ficava com ela no colo por um tempo e depois a devolvia no berço. Nessa hora eu já estava no melhor do sono. Às quatro da manhã, me sentia recuperada. Pronta para a maratona de mamadas e afazeres de mais um dia. Pronta para sobreviver na selva e garantir a sobrevivência da minha cria.

Com o tempo, as obrigações mudam. Mas a vida selvagem dura pelo menos até a criança completar três anos. Aos poucos fui recuperando várias liberdades que haviam sido confiscadas pela maternidade. Hoje, com uma filha de dez anos, estou praticamente alforriada. Aproveito para respirar profundamente. Afinal, há quem diga que a verdadeira vida selvagem começa quando o filho chega à adolescência. Será mesmo? Que venha a nova selva, então. No lugar da leoa incansável, ela vai encontrar a leoa maleável. Muito mais do que era a moça que pariu aos 30 anos. A natureza é mesmo sábia.

Por tudo isso (e muito mais), sempre me considerei uma mãe dedicada. Eu me achava uma ótima mãe até conhecer a mãe do Idryss Jordan. Perto do que ela faz pelo filho, o que fiz pela minha é uma espécie de passeio no parque, com direito a pipoca e algodão doce. Vida selvagem não é a minha. É a dela. Posso ser uma mãe dedicada. Ela é mãe coragem.

Idryss Jordan tem 11 anos. É autista. Não é um daqueles autistas portadores da síndrome de Asperger (que falam, avançam nos estudos e podem até chegar ao mestrado, como eu contei numa reportagem publicada em ÉPOCA há dois anos). Idryss é um autista de baixo rendimento. Não fala, usa fralda, precisa ser vestido, trocado, alimentado e cuidado 24 horas por dia. Muitas vezes se debate e se torna agressivo.

Aos 39 anos, Keli Mello, a mãe coragem, já precisou consertar os dentes da frente. Eles foram quebrados pelo filho. Se você acha que a criança que tem em casa lhe dá trabalho demais, espere até conhecer a história de Keli, uma gaúcha de Três de Maio que vive há duas décadas em São Paulo. Não sei de onde ela tira energia para enfrentar o que enfrenta. Por sorte (ou por destino), Keli é casada com Silvio Jerônimo de Teves, um pai coragem.

A dedicação e o amor incondicional que esse casal oferece ao filho fazem qualquer um se arrepender de algum dia ter dito que criança dá trabalho demais. Quem tem um filho saudável não sabe o que é trabalho. Keli e Silvio vivem para o filho (e para a filha Hyandra, de 5 anos, que não tem a doença). Não podem trabalhar fora de casa. Quando o autismo do filho se manifestou, Keli abandonou o trabalho de auxiliar de fisioterapia.

Virou artesã. No período em que Idryss está na escola, Keli faz panos de prato e toalhas. Silvio prepara o almoço e o jantar. Idryss não aceita comida esquentada. Se ela não for fresquinha, ele percebe e não come. Depois de cuidar da alimentação da família, Silvio sai para entregar as encomendas do artesanato que Keli produz. São movidos pelo amor e acreditam que o garoto é capaz de senti-lo e retribuí-lo. “Autista não é robô. Ele sabe amar. Se peço um beijo, Idryss me dá o rosto”, diz Keli.

Nos momentos de grande agitação – quando Idryss se morde e pode agredir quem estiver perto – a única coisa que o acalma é o metrô. Isso mesmo. Ele tem fixação pelo metrô. Quando não consegue controlar o garoto, o que Keli faz? Pega o metrô na estação Tucuruvi e vai até o Jabaquara. Depois volta até o Tucuruvi. Se precisar, vai novamente ao Jabaquara e retorna ao Tucuruvi.

Cruza São Paulo de norte a sul (são 23 estações em cada trecho) para acalmar Idryss. Na bolsa, leva o almoço do garoto acondicionado num pote plástico. Quando ele fica menos agitado, saltam na estação Parada Inglesa. Keli procura duas cadeiras vazias na beira dos trilhos, com vista privilegiada para o trem. Abre o pote, retira uma colher da bolsa e alimenta Idryss. A plataforma do metrô é sua sala de jantar.

Conheci essa família há alguns dias quando fazia uma reportagem sobre o trabalho da dentista Adriana Gledys Zink. Ela será publicada amanhã (10/07) na edição impressa de Época. As famílias dos autistas enfrentam todo tipo de desassistência. Não encontram vagas em escolas preparadas para lidar com o problema, não encontram atendimento médico adequado e, como é de se imaginar, não encontrar dentistas dispostos a atender autistas. Quando essas crianças precisam de tratamento odontológico (mesmo que seja uma simples limpeza) costumam ser internadas num hospital para receber anestesia geral.

“Mesmo quem pode pagar, não encontra dentistas dispostos a cuidar de autistas. Eles sequer vêem o paciente. Simplesmente informam que não os atendem”, diz Adriana. Ela decidiu tentar fazer diferente. Depois de se especializar em pacientes especiais na Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas (APCD), frequentar reuniões de famílias autistas e estudar os métodos de aprendizagem disponíveis, ela criou algumas técnicas que lhe permitem se aproximar desses pacientes. Na maior parte dos casos, ela consegue cuidar dos dentes dessas crianças (e também de adultos) no consultório, sem anestesia geral.

O processo é longo. Exige extrema dedicação das famílias e da dentista. Às vezes, ela precisa de quatro sessões (ou mais) só para conseguir levar a criança até a cadeira. Quando isso não é possível e o procedimento necessário é simples (uma limpeza, por exemplo), atende a criança no chão. O entusiasmo de Adriana surpreendeu a família de Idryss. “Essa dentista não existe. Acho que estou sonhando. Ela senta no chão com meu filho, tenta de tudo e não olha no relógio para ver se a sessão acabou”, diz Keli.

Se você quiser conhecer um pouco mais sobre o trabalho especialíssimo que Adriana e o marido (o dentista Marcelo Diniz de Pinho) realizam, acesse o blog. Para ver Adriana em ação e conhecer Keli e Idryss, assista a esse vídeo: http://www.youtube.com/user/zinkpinho#p/a/u/1/ou7PVTWnfoA

Keli, Idryss e Adriana me deram uma lição de vida. Agradeço todos os dias por ter uma profissão que me permite encontrar gente tão especial. Saio de cada reportagem melhor do que entrei. Graças à enorme generosidade dessa gente que confia em mim e divide tanto comigo. Muito obrigada a todos – mães e pais coragem, entrevistados e leitores. Saio de férias hoje. Essa coluna volta no dia 06 de agosto. Espero voltar com as baterias recarregadas e os sentidos bem calibrados para mais um semestre de intensa troca com vocês. Até lá.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Um pouco da Amazônia que queremos preservar

CURIOSIDADES

Os dois maiores arquipélagos fluviais do mundo estão na Amazônia.



No município de Barcelos (AM), no leito do rio Negro, um conjunto de mais de 700 ilhas forma o arquipélago de Mamirauá - há quem diga que esse número chega a 1.200, dependendo do volume de água do rio. Sua área foi determinada na década de 1990 por pesquisadores da Nasa (agência espacial norte-americana), que informaram ser de 140 quilômetros de extensão por 20 quilômetros de largura. O segundo maior arquipélago fluvial é o de Anavilhanas e situa-se no mesmo estado, nos municípios de Novo Airão e Manaus. Ele também está no rio Negro e é composto por cerca de 400 ilhas, distribuídas por uma área de 100 quilômetros de extensão por 20 quilômetros de largura.De dezembro a junho, a região se enche de água. Animais e plantas precisam se adaptar para sobreviver a essas condições extremas.

Peixes

Ao abrigar a maior bacia fluvial do planeta, a Amazônia reúne também uma grande diversidade de peixes. Estima-se que existam perto de 3 mil espécies nos rios e lagos da região. Cerca de 1.300 espécies já são
conhecidas pelos cientistas, mas há muitas ainda a serem descobertas. Apenas no rio Negro, foram descritas 450. Em toda a Europa, esse número não passa de 200 espécies.

Em muitos rios amazônicos, a quantidade de minerais na água é tão pequena que os peixes dependem quase exclusivamente dos alimentos produzidos na floresta dos arredores. Espécies que comem frutos, como o
tambaqui, movem-se pelos principais cursos de água entre os galhos de árvores submersos.

O menor primata do mundo, o sagui-leãozinho, é nativo da Amazônia
    
Para uma região em que tudo é marcado por um certo gigantismo, a existência esse pequenino animal surpreende. Ele não tem mais que 15 cm  (excluindo os outros 15 centímetros de cauda) e pesa cerca de 130 gramas. Sua alimentação é formada por frutas, folhas e insetos.                                                    
Os indígenas da divisa do Brasil com a Colômbia convivem com eles como animais de estimação, mantendo-os junto da cabeça onde passam o dia procurando por piolhos.


A harpia amazônica é a maior ave de rapina do mundo, com quase um metro de altura.


Ela também é conhecida como gavião-real e chega a medir 97 centímetros de altura - 11 a mais que a água-careca americana. De uma ponta da asa até a outra, a Harpia harpyja pode ter até 2,5 metros e, para sustentar seus 10 quilos, alimenta-se de pequenos roedores e até de macacos. Por causa da destruição de    seu habitat (florestas úmidas), a harpia encontra-se praticamente restrita à Amazônia, uma vez que necessita de grandes áreas de mata preservada para viver. 

Gigante das águas


Na região amazônica vive o maior peixe de água doce do mundo, o pirarucu. Ele pode chegar a 3 metros de comprimento e pesar 200 kg. Carnívora, a espécie possui um ciclo de vida longo, só se reproduzindo a partir do quinto ano de vida. Durante muito tempo, o peixe foi capturado em quantidades acima do limite para o consumo da carne, muito apreciada na região. Como resultado, a espécie entrou em perigo de extinção.

Insetos

Insetos não faltam na Amazônia. Há 60 mil espécies conhecidas, mas a estimativa é de outras 180 mil ainda serem descobertas. Os insetos representam a maior parte da biomassa da fauna amazônica. Acredita-se que um terço deles seja composto de formigas e cupins: uma área igual a um campo de futebol na floresta amazônica pode abrigar oito milhões de formigas e um milhão de cupins. Os pesquisadores atribuem a diversidade e abundância de insetos à grande quantidade de plantas existente na região. Eles são ecologicamente importantes, porque participamdo ciclo de nutrientes da natureza, são fonte de proteínas para os animais e atuam como polinizadores das plantas. Na região amazônica, a fauna de insetos é principalmente ligada à vegetação flutuante: em busca de alimentos, muitas espécies se movimentam nos troncos das árvores, acompanhando a subida e descida das águas.

As mandingueiras da capital paraense garantem resolver qualquer problema com suas "poções mágicas"


Elas afirmam que não existe mal sem cura nesse mundo. Seja doença, dor de amor, solidão, desejo de sorte nos negócios ou simplesmente espantar o mau olhado, basta encostar em suas bancas e relatar o     problema. Em questão de minutos, uma mistura de ervas, raízes, cascas de árvores e partes de animais estará pronta ou uma garrafa com a poção será oferecida. Tudo acompanhado por alguma reza ou ritual a ser feito pelo interessado. Atrair a pessoa amada está entre os pedidos mais comuns, por isso nas bancas não faltam as ervas "folha de chama", "agarradinho-a-ti" e a "venha-a-mim".

A cultura da floresta

Os caboclos ou ribeirinhos constituem uma das populações mais tradicionais da Amazônia. São eles que herdaram as práticas de subsistência dos índios que podem ser observadas até os dias atuais. O termo inicialmente referia-se aos índios destribalizados, que, a partir do século 18, passaram por uma aculturação gradativa. Com o passar do tempo, passou a valer como referência para os descendentes de indígenas e
portugueses e os migrantes de outras regiões do Brasil, que foram expulsos pela seca e crises econômicas de suas terras, e se adaptaram à floresta há várias gerações.
A adaptação dos caboclos às singularidades da Amazônia é notável. Além de reconhecerem os rios,  furos e igarapés como quem anda nas ruas de uma cidade, e acharem  referências nesses locais para se     locomoverem à noite, os caboclos possuem um conhecimento respeitável sobre a fauna, a flora e os produtos que a floresta oferece para a sua subsistência.
Os caboclos sabem quais os melhores meses para a pesca de determinadas espécies de peixes, quais as melhores palhas para a construção, quais os medicamentos que a mata oferece e muito mais.
Para se  locomover, usam as canoas que os índios sempre usaram, capazes de se embrenhar pelas raízes das florestas alagadas sem espantar os peixes. As comunidades ribeirinhas vivem em função do rio, a  maioria muito distantes umas das outras. Também herdaram dos índios a dieta baseada na proteína fornecida por animais silvestres e peixes, o cultivo da mandioca e uma cultura material que inclui ferramentas e utensílios construídos de fibras vegetais, pedra e subprodutos da fauna.

E tem muito mais...

A Fome e a miséria


1) A fome mata 24 mil pessoas a cada dia - 70% delas crianças;

2) No mundo de hoje há mais comida do que em qualquer outro momento da história da humanidade;

3) Temos 6,7 bilhões de habitantes, e produzimos mais de 2 bilhões de toneladas de grãos, o que significa que produzimos quase um quilo de grãos por pessoa e por dia no planeta, amplamente suficiente para alimentar a todos;

4) Segundo a FAO o mundo precisaria de US$ 30 bilhões por ano para lutar contra a fome, recursos que significam apenas uma fração do US$ 1,1 trilhão aprovado pelo G-20 para lidar com a recessão mundial;

5) 65% dos famintos vivem em somente sete países;

6) Nos últimos meses irromperam revoltas por causa da fome em 25 países;

7) Os que sobrevivem à fome carregam seqüelas para sempre. A fome mina as vidas e acaba com a capacidade produtiva, enfraquece o sistema imunológico, impede o trabalho e nega a esperança;

8) No mesmo momento em que 1 bilhão de pessoas passando fome, outro 1 bilhão sofre de obesidade por excesso de consumo;

9) Uma criança americana consome o equivalente a 50 crianças africanas da região subsaariana;

10) Cerca de 200 milhões de crianças de países pobres tiveram seu desenvolvimento físico afetado por não ter uma alimentação adequada, segundo o Unicef.


Por que tantos passam fome?


*Dados extraídos do Adital publicado pela Humanitas/Unisinos/Cepat

Instituto Humanitas Unisimos, Universidade do Vale do Rio dos Sinos unisinos / Centro de pesquisa e apoio aos trabalhadores.






É lamentável que um país como o nosso Brasil, de tantas riquezas e tantas belezas, seja um país sem leis, onde a impunidade impera e nos deixa a mercê das barbáries praticadas pelos criminosos que o nosso código penal sustenta com sua ineficácia.



Malú Rossi